martes 26 de mayo de 2009

Cartas de uma mãe à sua filha



Em 2007 Sara Monteiro recebeu o prémio Maria Rosa Colaço por Cartas de uma Mãe à sua Filha, livro recentemente editado pelo Editora Caminho. Cartas hilariantes que nos levam a um fantástico mundo de fantasia.

Quando Luisinha, com 15 anos, sai de casa da mãe para ir estudar inglês em Inglaterra, esta começa a ser invadida pelos mais estranhos seres: sereias, fadas, bruxas, 1 Pai Natal, 1 fantasma e 1 gnomo (não necessariamente por esta ordem), que a mãe cordialmente recebe e se prontifica a alimentar, dando origem a uma imparável aventura que a leva de casa para a floresta — lugar onde tudo o que existe se mexe e opina (desde folhas e formigas até às pedras mais duras) — e de novo para casa, onde finalmente irá tomar uma decisão radical. Estas cartas, que se prolongam no tempo, são o relato pormenorizado dessas peripécias.


jueves 14 de mayo de 2009

Manga ancha y La Casa Árabe




La semana pasada La Casa Árabe hizo posible que Manga ancha se paseara por las ciudades de Cádiz, Madrid y Badajoz.

Esta semana la revista no solo ha tenido manga ancha, sino también voz en diarios y diarios de hoy.

Voz y más que voz.

martes 21 de abril de 2009

Há beijos e beijos!


Há beijos e beijos!

O primeiro beijo é o do afecto maternal.
O mais profundo, o mais belo, o mais sonoro, o mais verdadeiro.
É o poema que cada mãe transporta nos lábios.
Há o trivial que, no dia a dia, utilizamos como forma de cumprimento.
É um beijo, que pode ser nada, pouco, muito ou muitíssimo sentido.
Há aquele que atiramos ao vento, direccionado, num gesto de amizade, a
alguém que não estando longe, não está suficiente perto para o receber directamente.
Outros seguem também pelo ar, através da ponta dos nossos dedos, levando mil saudades
e a esperança de um breve reencontro.
Outros vão escritos e, por vezes, desenhados tentando iludir a distância e o tempo.
Também, existe aquele afável, de gratidão, que murmura simplesmente “obrigada” .
Há , ainda , aquele outro muito cúmplice, muito amigo que diz, ora a sorrir ora a chorar
“ estou aqui”, “estou contigo”. Uma espécie de carícia que afaga e reconforta a alma.
E o beijo que todos nós conhecemos dos contos de fadas ? O beijo do encantamento. A Princesa beija o sapo e este transforma-se num lindíssimo Príncipe!
O “Beijo” intenso e inebriante da paixão, aquele que absorve e entrelaça o desejo e o querer dos dois amantes, tão magistralmente esculpido por Rodin. O beijo imortalizado naquela genial obra de arte que me deixou sem fôlego, pela força emotiva e sensual que transmite, quando, aos vinte anos, tive a feliz oportunidade de o admirar, na Tate Galery, em Londres. O “Beijo” de Auguste Rodin

Enfim, são muitos e variados, de gratidão, de amizade, de alegria, de amor … e até de despedida
Mas recordo-me ainda de um outro, lindo e arrasador, o beijo do reencontro. Sabe a chocolate tem a cor da alegria e cheira a festa , ao invés daquele triste beijo da despedida.
Quem não se recorda do famoso beijo de Humphrey Bogart e de Ingrid Bergman consagrado pela sétima Arte?
Mas qualquer que ele seja, o beijo é sempre um gesto de ternura.
Só conheço um que não interessa, o beijo de Judas, por ser feio, falso e traiçoeiro.
E seguindo a tua sugestão “Que o beijo seja um pretexto de partilha”, termino juntando um lindíssimo poema de Alexandre O’neil , por , também , partilhar do sentimento de que “Há palavras que nos beijam como se tivessem boca”.

Há palavras que nos beijam

Há palavras que nos beijam Como se tivessem boca. Palavras de amor, de esperança, De imenso amor, de esperança louca. Palavras nuas que beijas Quando a noite perde o rosto; Palavras que se recusam Aos muros do teu desgosto. De repente coloridas Entre palavras sem cor, Esperadas inesperadas Como a poesia ou o amor. (O nome de quem se ama Letra a letra revelado No mármore distraído No papel abandonado) Palavras que nos transportam Aonde a noite é mais forte, Ao silêncio dos amantes Abraçados contra a morte. Alexandre O'Neill, in 'No Reino da Dinamarca

Beijocas

Filomena Ponte

sábado 18 de abril de 2009

Beso alegre


Beso alegre, descuidada paloma,
blancura entre las manos, sol o nube;
corazón que no intenta volar porque basta el calor,
basta el ala peinada por los labios ya vivos.
El día se sienta hacia afuera; sólo existe el amor.
Tú y yo en la boca sentimos nacer lo que no vive,
lo que es el beso indestructible
cuando la boca son alas, alas que nos ahogan mientras los
ojos se cierran,mientras la luz dorada está dentro de los párpados.
Ven, ven, huyamos quietos como el amor;
vida como el calor que es todo el mundo solo,
que es esa música suave que tiembla bajo los pies,
mundo que vuela único, con luz de estrella viva,
como un cuerpo o dos almas, como un último pájaro.

Vicente Aleixandre, Beso alegre


Antonia

viernes 17 de abril de 2009

Ayer te besé en los labios


Nuestra querida Mena,aquí otro beso, este en La voz a ti debida (1933) del besucón Pedro Salinas



Ayer te besé en los labios.
Te besé en los labios. Densos,
rojos. Fue un beso tan corto
que duró más que un relámpago,
que un milagro, más.
El tiempo
después de dártelo
no lo quise para nada
ya, para nada
lo había querido antes.
Se empezó, se acabó en él.

Hoy estoy besando un beso;
estoy solo con mis labios.
Los pongo
no en tu boca, ya no
—¿adónde se me ha escapado?—
Los pongo
en el beso que te di
ayer, en las bocas juntas
del beso que se besaron.
Y dura este beso más
que el silencio, que la luz.
Porque ya no es una carne
ni una boca lo que beso,
que se escapa, que me huye.
No.
Te estoy besando más lejos.

Antonio

miércoles 15 de abril de 2009

O Beijo Mata o Desejo


MOTE

«Não te beijo e tenho ensejo
Para um beijo te roubar;
O beijo mata o desejo E eu quero-te desejar.»


GLOSAS

Porque te amo de verdade,
'stou louco por dar-te um beijo,
Mas contra a tua vontade
Não te beijo e tenho ensejo.


Sabendo que deves ter
Milhões deles p'ra me dar,
Teria que enlouquecer
Para um beijo te roubar.


E como em teus lábios puros,
Guardas tudo quanto almejo,
Doutros desejos futuros
O beijo mata o desejo.


Roubando um, mil te daria;
O que não posso é jurar
Que não te aborreceria,
E eu quero-te desejar!


António Aleixo, in "Este Livro que Vos Deixo..."


Vamir

lunes 13 de abril de 2009

De Rayuela, capítulo 7




Toco tu boca, con un dedo toco el borde de tu boca, voy dibujándola como si saliera de mi mano, como si por primera vez tu boca se entreabriera, y me basta cerrar los ojos para deshacerlo todo y recomenzar, hago nacer cada vez la boca que deseo, la boca que mi mano elige y te dibuja en la cara, una boca elegida entre todas, con soberana libertad elegida por mí para dibujarla con mi mano por tu cara, y que por un azar que no busco comprender coincide exactamente con tu boca que sonríe por debajo de la que mi mano te dibuja.Me miras, de cerca me miras, cada vez más de cerca y entonces jugamos al cíclope, nos miramos cada vez más de cerca y nuestros ojos se agrandan, se acercan entre sí, se superponen y los cíclopes se miran, respirando confundidos, las bocas se encuentran y luchan tibiamente, mordiéndose con los labios, apoyando apenas la lengua en los dientes, jugando en sus recintos donde un aire pesado va y viene con un perfume viejo y un silencio. Entonces mis manos buscan hundirse en tu pelo, acariciar lentamente la profundidad de tu pelo mientras nos besamos como si tuviéramos la boca llena de flores o de peces, de movimientos vivos, de fragancia oscura. Y si nos mordemos el dolor es dulce, y si nos ahogamos en un breve y terrible absorber simultáneo del aliento, esa instantánea muerte es bella. Y hay una sola saliva y un solo sabor a fruta madura, y yo te siento temblar contra mí como una luna en el agua.


Julio Cortázar.



Teresa