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martes, 21 de abril de 2009

Há beijos e beijos!


Há beijos e beijos!

O primeiro beijo é o do afecto maternal.
O mais profundo, o mais belo, o mais sonoro, o mais verdadeiro.
É o poema que cada mãe transporta nos lábios.
Há o trivial que, no dia a dia, utilizamos como forma de cumprimento.
É um beijo, que pode ser nada, pouco, muito ou muitíssimo sentido.
Há aquele que atiramos ao vento, direccionado, num gesto de amizade, a
alguém que não estando longe, não está suficiente perto para o receber directamente.
Outros seguem também pelo ar, através da ponta dos nossos dedos, levando mil saudades
e a esperança de um breve reencontro.
Outros vão escritos e, por vezes, desenhados tentando iludir a distância e o tempo.
Também, existe aquele afável, de gratidão, que murmura simplesmente “obrigada” .
Há , ainda , aquele outro muito cúmplice, muito amigo que diz, ora a sorrir ora a chorar
“ estou aqui”, “estou contigo”. Uma espécie de carícia que afaga e reconforta a alma.
E o beijo que todos nós conhecemos dos contos de fadas ? O beijo do encantamento. A Princesa beija o sapo e este transforma-se num lindíssimo Príncipe!
O “Beijo” intenso e inebriante da paixão, aquele que absorve e entrelaça o desejo e o querer dos dois amantes, tão magistralmente esculpido por Rodin. O beijo imortalizado naquela genial obra de arte que me deixou sem fôlego, pela força emotiva e sensual que transmite, quando, aos vinte anos, tive a feliz oportunidade de o admirar, na Tate Galery, em Londres. O “Beijo” de Auguste Rodin

Enfim, são muitos e variados, de gratidão, de amizade, de alegria, de amor … e até de despedida
Mas recordo-me ainda de um outro, lindo e arrasador, o beijo do reencontro. Sabe a chocolate tem a cor da alegria e cheira a festa , ao invés daquele triste beijo da despedida.
Quem não se recorda do famoso beijo de Humphrey Bogart e de Ingrid Bergman consagrado pela sétima Arte?
Mas qualquer que ele seja, o beijo é sempre um gesto de ternura.
Só conheço um que não interessa, o beijo de Judas, por ser feio, falso e traiçoeiro.
E seguindo a tua sugestão “Que o beijo seja um pretexto de partilha”, termino juntando um lindíssimo poema de Alexandre O’neil , por , também , partilhar do sentimento de que “Há palavras que nos beijam como se tivessem boca”.

Há palavras que nos beijam

Há palavras que nos beijam Como se tivessem boca. Palavras de amor, de esperança, De imenso amor, de esperança louca. Palavras nuas que beijas Quando a noite perde o rosto; Palavras que se recusam Aos muros do teu desgosto. De repente coloridas Entre palavras sem cor, Esperadas inesperadas Como a poesia ou o amor. (O nome de quem se ama Letra a letra revelado No mármore distraído No papel abandonado) Palavras que nos transportam Aonde a noite é mais forte, Ao silêncio dos amantes Abraçados contra a morte. Alexandre O'Neill, in 'No Reino da Dinamarca

Beijocas

Filomena Ponte

sábado, 18 de abril de 2009

Beso alegre


Beso alegre, descuidada paloma,
blancura entre las manos, sol o nube;
corazón que no intenta volar porque basta el calor,
basta el ala peinada por los labios ya vivos.
El día se sienta hacia afuera; sólo existe el amor.
Tú y yo en la boca sentimos nacer lo que no vive,
lo que es el beso indestructible
cuando la boca son alas, alas que nos ahogan mientras los
ojos se cierran,mientras la luz dorada está dentro de los párpados.
Ven, ven, huyamos quietos como el amor;
vida como el calor que es todo el mundo solo,
que es esa música suave que tiembla bajo los pies,
mundo que vuela único, con luz de estrella viva,
como un cuerpo o dos almas, como un último pájaro.

Vicente Aleixandre, Beso alegre


Antonia

viernes, 17 de abril de 2009

Ayer te besé en los labios


Nuestra querida Mena,aquí otro beso, este en La voz a ti debida (1933) del besucón Pedro Salinas



Ayer te besé en los labios.
Te besé en los labios. Densos,
rojos. Fue un beso tan corto
que duró más que un relámpago,
que un milagro, más.
El tiempo
después de dártelo
no lo quise para nada
ya, para nada
lo había querido antes.
Se empezó, se acabó en él.

Hoy estoy besando un beso;
estoy solo con mis labios.
Los pongo
no en tu boca, ya no
—¿adónde se me ha escapado?—
Los pongo
en el beso que te di
ayer, en las bocas juntas
del beso que se besaron.
Y dura este beso más
que el silencio, que la luz.
Porque ya no es una carne
ni una boca lo que beso,
que se escapa, que me huye.
No.
Te estoy besando más lejos.

Antonio

miércoles, 15 de abril de 2009

O Beijo Mata o Desejo


MOTE

«Não te beijo e tenho ensejo
Para um beijo te roubar;
O beijo mata o desejo E eu quero-te desejar.»


GLOSAS

Porque te amo de verdade,
'stou louco por dar-te um beijo,
Mas contra a tua vontade
Não te beijo e tenho ensejo.


Sabendo que deves ter
Milhões deles p'ra me dar,
Teria que enlouquecer
Para um beijo te roubar.


E como em teus lábios puros,
Guardas tudo quanto almejo,
Doutros desejos futuros
O beijo mata o desejo.


Roubando um, mil te daria;
O que não posso é jurar
Que não te aborreceria,
E eu quero-te desejar!


António Aleixo, in "Este Livro que Vos Deixo..."


Vamir

lunes, 13 de abril de 2009

De Rayuela, capítulo 7




Toco tu boca, con un dedo toco el borde de tu boca, voy dibujándola como si saliera de mi mano, como si por primera vez tu boca se entreabriera, y me basta cerrar los ojos para deshacerlo todo y recomenzar, hago nacer cada vez la boca que deseo, la boca que mi mano elige y te dibuja en la cara, una boca elegida entre todas, con soberana libertad elegida por mí para dibujarla con mi mano por tu cara, y que por un azar que no busco comprender coincide exactamente con tu boca que sonríe por debajo de la que mi mano te dibuja.Me miras, de cerca me miras, cada vez más de cerca y entonces jugamos al cíclope, nos miramos cada vez más de cerca y nuestros ojos se agrandan, se acercan entre sí, se superponen y los cíclopes se miran, respirando confundidos, las bocas se encuentran y luchan tibiamente, mordiéndose con los labios, apoyando apenas la lengua en los dientes, jugando en sus recintos donde un aire pesado va y viene con un perfume viejo y un silencio. Entonces mis manos buscan hundirse en tu pelo, acariciar lentamente la profundidad de tu pelo mientras nos besamos como si tuviéramos la boca llena de flores o de peces, de movimientos vivos, de fragancia oscura. Y si nos mordemos el dolor es dulce, y si nos ahogamos en un breve y terrible absorber simultáneo del aliento, esa instantánea muerte es bella. Y hay una sola saliva y un solo sabor a fruta madura, y yo te siento temblar contra mí como una luna en el agua.


Julio Cortázar.



Teresa

Dia 13 de Abril- Dia do beijo

You must remember this, a kiss is still a kiss, a sigh is still (just) a sigh. The fundamental things apply… as time goes by» (Casablanca)


Lá diz o ditado: Um beijo na face , pede-se e dá-se



O BEIJO

Teria começado por ser uma natureza morta: as flores
em ramo, deitadas no chão, e um fundo negro que realça
o branco das pétalas. Depois, deitada,
a mulher estende os cabelos sobre a base do ramo,
e uma rosa prende-se-lhe nos caracóis, sobre a orelha
esquerda, fazendo com que a pele do rosto pareça
um prolongamento da sua cor, que adquire uma
tonalidade mais forte no lenço, que envolve o pescoço e
desce pelo peito, cobrindo o vestido de branco. Entre
ela e as flores, porém, surge a mão do homem, que entra
pelos seus cabelos, segurando e erguendo a cabeça,
até um encontro de lábios, enquanto a outra mão,
sob o seio esquerdo, prende a base do lenço, fazendo
com que a mão da mulher a agarre, deixando de fora
os dedos, cravando-se no punho até entrar pela
manga da camisa, numa entrega que no entanto,
deixa adivinhar uma serena inquietação através
dos olhos fechados, que adivinhamos para além
das pálpebras onde o desejo se concentra. É possível
que estas flores tenham secado e que o vento tenha
espalhado estes cabelos no túmulo da terra de algum
antigo inverno; mas o perfume deste beijo mantém-se,
e nos olhos fechados dos amantes o amor está vivo.

Nuno Júdice ,in Geometria Variável


Talvez vocês conheçam mais algum poema, frase, citação, que valha a pena partilhar .
Que o beijo seja um pretexto de partilha!

Sejam beija roqueiros durante esta semana!
Soltem o beijo !

Beija-vos
Mena

martes, 3 de marzo de 2009

Pequeno desafio – Títulos de livros


Lendo o último Jornal de Letras , cujo artigo principal é “Títulos de livros”, surgiu a ideia deste pequeno desafio.
Quantos livros não compramos por causa do título? Muitas vezes sedutor e, por vezes, enganador.
Quantos títulos ficaram na nossa memória! Títulos de livros que nos tocaram, títulos que achámos sugestivos, estranhos, atraentes, inesquecíveis…
Pois é , puxem pela memória , seleccionem 3 a 5 títulos e enviem-nos, de preferência ,com a explicação da escolha.
O que faremos com o “material”? Logo se verá. Aceitam-se sugestões.


Filomena

jueves, 19 de febrero de 2009

Delicias portuguesas


Yo quería que mi tarde supiera a café y que mi café supiera a ventana. Quería que al igual que hay conchas que van desde una orilla portuguesa a otra brasileña, hubiera ventanas brasileñas que supieran a cafés portugueses.

También quería que fuera una tarde de saltos, que mi pingado fuera bica, que la bossa nova sonara a fado, que el brigadeiro supiera a pastel de belem.


Y como querer es poder.


Estoy en un café llamado "Delicias portuguesas", un café con ventanas anchas, con un son a fados y con sabor a ovos moles. Hoy mi café y mi ventana miran y saben a Portugal.

Antonia

lunes, 16 de febrero de 2009

Saltos


De vez en cuando, una palabra del portugués salta y rescata voces de un pueblo del norte de Cáceres entre las que crecí. Entonces, entiendo mejor de dónde nace mi curiosidad por esta lengua que se me está convirtiendo en una segunda piel con imperfecciones. Una de esas palabras es “calcanhar”. Cuando la aprendí, me imaginaba a un Aquiles pueblerino, con olor a lumbre, al tiempo que escuchaba a mi abuela diciendo “ya debes tener la comida en los calcañales”. Otra, la encontré en mi manual de portugués: “estar gordo como un texugo”, comparación estereotipada nada ajena para mí (gordo como un tejón), a pesar de que pocas veces he llegado a escucharla en Portugal (cosas de manuales). No me es difícil, cuando oigo “milho”, recordar con nitidez cómo transcurría la vida de puertas para afuera en la calle Guindal. Vecinos sentados en sillas bajas, desgranando maíz sin prisas, conversaciones lentas y bien sostenidas.
Por estas y otras muchas razones, el portugués es un idioma afectivo que desdibuja mis fronteras. A veces, pongo nuevas palabras portuguesas en un lado y la balanza se inclina hacia el de la memoria y a una variedad de español. Curioso. Aunque, como dice García Márquez: “¿Cuántas veces no hemos probado nosotros mismos un café que sabe a ventana, un pan que sabe a rincón, una cerveza que sabe a beso?”.


Beatriz

domingo, 15 de febrero de 2009

Llueve en Florianópolis


Luis Pastor y Bebe cantan “Lluvia de mayo”.

No sé en qué “puerto de mar” o en qué “estación de metro” estos dos extremeños encontraron la inspiración para cantar a la lluvia de mayo y no a la de abril. No sé en qué lahares sintieron, pensaron, escribieron y cantaron esta lluvia, pero bien podría haber sido en Florianópolis.

En esta isla no sólo llueve en mayo, también hay agua mil en abril y siempre sobre mojado. El cielo aquí es de lana, llueve hoy y llueve mañana…

Llegué en septiembre con paraguas en mano y sigo en febrero teniendo en la mano un paraguas. Siempre hay alguien que dice que no es normal tanta lluvia, que dentro de poco dejará de llover, pero yo a estas “caladas” he dejado de creer. Lo cierto es que sigo mirando al cielo y me sigo mojando.

Hace un par de semanas compré una entrada para un festival de música. En el anverso estaba escrito: “los conciertos tendrán lugar con o sin lluvia”. Si no fuera así, en esta isla habría solo lluvia, pero aquí hay música con lluvia, playa con lluvia, paseos con lluvia, vida con lluvia…

Escribo pronto “con o sin lluvia”.

Antonia

viernes, 6 de febrero de 2009

A porta de Mazagão


“ Nunca vira uma porta feita para proteger do mar uma cidade. A porta já não estava inteira, a ferrugem comera pedaços do ferro; mas continuava a impedir que alguém que quisesse entrar na cidade, vindo do lado do mar, a arrombasse, caso a porta estivesse fechada. Perguntava por que é que ainda havia quem quisesse fechar aquela porta? E via os rapazes que mergulhavam do alto das muralhas, e nadavam até ao degrau onde a porta continuava aberta, entrarem pela escada da cidade, e subirem até ao alto da muralha para se atirarem de novo ao mar. «Serão eles que mantêm a porta aberta?», perguntava; e a resposta lógica era a de que talvez fosse por sua causa que a porta não se voltava a fechar, e até talvez as dobradiças tivessem ficado presas, por causa desses rapazes que não paravam de mergulhar e voltar a entrar pela porta do mar, por onde só eles é que ainda entravam.
E resolveu espreitar por essa porta…”

Júdice,Nuno, A porta de Mazagão , in “MangaAncha nº2”

lunes, 2 de febrero de 2009

Os junquilhos de Sara


“ …
Os junquilhos
Foi quando em Rabat apareceram os junquilhos.
Em Lisboa, não sei por que razão, desapareceram dos cestos das floristas há já alguns anos, essas flores brancas que sempre comprava, e que entre Dezembro e Janeiro invadiam a casa com um odor tão forte que toda a gente protestava. Talvez por causa do cheiro peculiar tivessem deixado de aparecer. Só sei que as procurei ano após ano e, finalmente, desisti.
Em Marrocos descobri-os primeiro no campo, um aqui, outro ali, e senti uma alegria incrédula, uma espécie de milagre: os junquilhos! desaparecidos de Portugal, aparecidos em Marrocos. Apanhei alguns, eram as mesmas flores, iguais em toda a parte, o cheiro inconfundível; o irmão de Hind, vendo que eu gostava, apanhou uma florinha e ofereceu-ma.
Em Rabat, um velho vendia-os no meio de outras. Os ramos dos junquilhos eram grandes, fartos como nunca tinha visto. Perguntei quanto custava, e ele, vendo o meu interesse, cobrou um preço alto, sem um sorriso. Apressei o passo para ir ter com os meus companheiros. Dividi o ramo: metade para mim, metade para Hind. A metade que guardei ficou a empestar o quarto de hotel para grande felicidade minha. Com o passar dos dias, o cheiro ficou tão intenso que eu tive medo de que as empregadas da limpeza o deitassem fora ou que algum sistema anti-cheiro começasse a disparar. J. não deu por nada.



Os junquilhos
Milagrosamente, em Portugal recuperei os junquilhos. Depois de tanto os ter procurado em Lisboa sem os encontrar,; depois de os ter reencontrado em Marrocos, no campo e na cidade e os ter novamente deixado, vi-os a florescer aqui no campo. J. já mo tinha dito em Marrocos, “lá também há,” mas eu não acreditei, tão improvável me pareceu. Desapareciam-me da vista anos a fio e apareciam agora, por obra e graça do acaso, em todo o lado? É só apanhá-los. Apanhá-los às mãos cheias. Tantos, que se eu quisesse, podia agora transformar-me na florista que volta a introduzi-los no mercado. Mas enquanto esse futuro romanesco não chega, limito-me a colhê-los e a depositá-los em jarras. Voltei a ouvir: “que cheiro esquisito é este?” Já tinha saudades da pergunta, faz-me sentir bem…”

Monteiro,Sara, Marrocos a preto e branco, in Manga Ancha nº2

lunes, 26 de enero de 2009

Traducir Mangaancha: una experiencia muy gratificante


El año pasado, cuando la profesora Beatriz nos propuso la traducción de algunos textos de “Manga Ancha” (una revista que nadie conocía en la clase), esta propuesta se me presentó como un reto individual y colectivo que me suscitaba sentimientos múltiples y distintos. Por un lado, sentía curiosidad por esta revista nueva y el deseo intelectual y profesional de participar en un proyecto cuyos objetivos me parecían de gran valía, y al mismo tiempo, de hacer un trabajo de traducción no puramente académico; por otro lado, sentía cierto recelo: era consciente de la responsabilidad individual y colectiva que iban a exigirnos estas traducciones ya que se dirigían a una revista de literatura que está haciendo su entrada en el mundo de las letras.
Sin embargo, más fuerte que el recelo fue la voluntad de todos. La experiencia se volvió un espacio de empeño y de discusión colectivos que no sólo hicieron de este trabajo un tiempo de reflexión lingüística, cultural y traductológica, sino una oportunidad de heteroconocimiento y de complicidades.
Además, si el hecho de traducir textos de autores extranjeros que hablaban con un matiz tan afectivo de un Portugal reciente, no vivido de la misma forma por todos los alumnos, ha dificultado a veces la traducción, al mismo tiempo, ha permitido una corta mirada histórico-geográfica muy interesante al buscarse el sentido profundo del texto y el equivalente lingüístico más adecuado.
El resultado fue para mí (y para todos, creo) muy gratificante a varios niveles:
Al nivel pedagógico-didáctico, estas clases han favorecido la construcción de un saber compartido consciente de la humildad, de la duda inteligente y de la persistencia que uno tiene que tener cuando se sienta delante de un texto original para traducirlo. Además nos han permitido un acercamiento al entorno laboral en un dominio – el literario – que por motivos curriculares está más alejado de nuestros estudios.
Al nivel cultural, la traducción primero y luego la lectura de la revista nos han permitido un enfoque más amplio de las literaturas periféricas y han creado en nosotros el deseo de seguir acompañando la vida de Mangaancha. Creo que algunos de nosotros nos convertiremos en lectores asiduos de las próximas ediciones. (Y ¿por qué no traductores?).
Finalmente, a nivel personal, nuestra participación en este proyecto ha favorecido no sólo el desarrollo de nuestra autoestima individual y colectiva, sino ampliado nuestra consciencia de pertenencia (nuestro sentimiento identitario, usando las palabras de Driss Bouissef).
En resumen, los deseos de la Presentación de este nº 2 de Mangaancha se han cumplido en nosotros, ya que nuestra colaboración nos ha permitido " evocar al otro y nos ha ayudado a todos a construir nuestro imaginario”.
¡Que Mangaancha tenga una vida muy larga!

Maria José Sarabando Neves Cartaxo

jueves, 22 de enero de 2009

Llueve a ratos. En la Biblioteca Nacional andan de recuento. Sustituyo aquel número 15 de la Sala de Publicaciones Periódicas por una mesa de rincón en el Starbucks de Alonso Martínez. Nunca correría por un café (líquido) como ese, sin embargo el café (espacio) lo merece. Leo y releo, al abrigo de gritos y de tasadores vestidos de camareros. Dicen que por la crisis los están cerrando, pues que no los cierren todos, que dejen por lo menos algunos como éste. Luego, ya de noche, en la Casa de Galicia, oí a Ada Salas, Esto no es el silencio (elogió la tierra para satisfacción de este oído satisfecho). También leyó Ramón Caride. La presentación, como es habitual, certera y lírica, de Vicente Araguas. En el mismo sitio, una exposición de relieves en madera de Chazo y otra de pintura de María José Leiría (y la evocación, inevitable, del Mario Eloy de Anjos y O bailarico do bairro)

antónio

jueves, 1 de enero de 2009

Rua da Fonte

Cada quien homenajea como quiere. Hay tantas maneras de sentir como hechuras de homenajes. En Manga ancha quisimos celebrar a un poeta despidiendo el año en la Figueira. Figueira da Foz, educación sentimental, Basilio Sánchez. Allí estaba la Rua da Fonte, sin niño, sin Citroën, sin número 12. Cosas de solsticios, hemisferios y translaciones. La voz de Teresa y un poema de Basilio por el aire.

miércoles, 24 de diciembre de 2008

Natal 2008

Escolhe as fitas. Há azuis, encarnadas, douradas…

Chama-se Samuel e nasceu num campo de refugiados algures numa montanha onde não se festeja o Natal, onde o Natal nunca chegou, nem o Natal nem outras coisas que o Samuel nem calculava.

Porque não nascemos todos iguais, o Samuel não se conformou e descobria sempre mais qualquer coisa melhor que os outros para comer, para o obrigar a fazer exercícios mentais. Gostava de ouvir as pessoas mais velhas, de observar a curandeira, de ver nascer o Sol e de esperar pelo espectáculo de o ver a pôr-se. Foi por isso que o Samuel se salvou. Todos repararam no mais desgraçado do campo de refugiados mas todos desviaram logo o olhar. Mandaram que alguém do campo tratasse dele, era muito doloroso. Mas o Samuel não. Estava lá como os outros mas tinha bom aspecto. Não se sabe porquê mas ele tinha tratado da mente, que o espelho dos olhos é o mais fiel que existe. Até a cara tinha lavada, lavava-a todos os dias para a eventualidade de... Não dizia nada e concentrava toda a atenção no que se passava à sua volta.

O João ia passar o Natal, que estava próximo, a casa e sentiu-se cativado. Parecia que o miúdo estava ali à sua espera e que ele só tinha ido ali por causa dele. Olhou em volta e lembrou-se – não posso modificar o mundo, mas posso melhorar-me e melhorar pelo menos alguém.
Se o Samuel fizesse parte daquele cenário, se estivesse como os outros, ele nunca se lembraria de o levar. Mas o Samuel não. Era o único que não era dali. Como ele. Tinham mais dívidas saldadas do que todos ali que desde que tivessem paz e comida não se adaptariam noutro lugar.

Quando no primeiro dia de Missão o João recolheu ao quartel, o Samuel deu-lhe a mão, foi com ele assim até ao jipe. Depois ficou a acenar-lhe até ele desaparecer e a dizer baixinho até amanhã, até amanhã, até amanhã como costumava dizer ao Sol, quando ele desaparecia no firmamento.

Nesse dia o João começou a tratar das coisas para levar com ele o Samuel.
- Já percebo porque vim aqui – Disse ele ao colega com quem bebia uns copos à noite e sabia da sua pouca vocação. Mas não acrescentou mais nada. O que ele teve que tratar não interessa, ele já se esqueceu até. O Samuel veio com ele. Encontrei-o há dias e é um rapaz normal, simpático, afável, equilibrado.

Perguntei-lhe quando fazia anos e ele disse-me que fazia anos no Natal. Que foi a primeira palavra que aprendeu a dizer em português. Que todos os anos no Natal se ocupa pelo menos de uma pessoa para a fazer feliz. Que o Natal para ele tem um significado especial, porque foi quando ele nasceu e está contente porque se sente bem com ele, porque lhe foi dada a oportunidade de também dar prazer a outras pessoas, que os estudos lhe correm bem, que ele mesmo se ocupa de embrulhar os presentes no Natal e tratar de fazer o presépio e a árvore de Natal. Que convoca toda a gente.
Disse-me que te convocasse.
- Que bom teres vindo, põe no cimo da árvore este sino dourado com a fita vermelha.


26 De Novembro de 2008

Nota: A Luz e o João, a Madalena e o António do conto do ano passado estão bons e desejam-vos também Boas Festas.
Paula

martes, 16 de diciembre de 2008

MA Aveiro-Lisboa


La semana pasada fue presentada, por vez primera, la revista Manga ancha en Portugal; concretamente en la Universidad de Aveiro y en la Casa Pessoa de Lisboa. En ambos sitios gozamos con la presencia de algunos escritores y colaboradores de la revista Inês Pedrosa. Sara Monteiro, Adalberto Alves), con el calor de los amigos que acudieron a arroparnos, y con la gratitud de los curiosos que se acercaron para conocer de cerca el proyecto. Para todos ellos, mi abrazo más inmenso desde aquí.

Quizá lo más curioso fue que por primera vez también se conocieron algunos miembros del Colectivo Manga ancha, pues hasta ese momento su conecencia era sólo virtual. Y cuando uno lleva mucho tiempo trabajando a través de la red con gente que no conoce le gusta ponerle cara, ¿o no, Emi?

Olvidé, en la presentación en la Casa Pessoa de Lisboa, mencionar la labor desinteresada de amigos en las traducciones portugués-español; un poco tarde, Jane, subsano mi error. Sabes que lo agrademos enormemente.

La segunda, y hablando de traducción en la Casa Pessoa, ¿cómo no mencioné a Ángel Campos Pámpano especialmente en estos momentos que acaba de dejarnos definitivamente? Desde aquí igualmente, nuestro agradecimiento en la apertura de este camino ibérico que también nosotros queremos “ensanchar”.

Por último ¿cómo no dar un abrazo a los miembros de Manga ancha que no pudieron venir? (Antonio en Madrid, Hassan en Casablanca, Driss en Tánger y Toñi en Florianópolis). Y desde aquí también quisiera describirles las miradas cómplices de los amigos (Jane, Alonso, João, Elena…), el silencio de Emi, camuflada entre el público y tras la cámara; la timidez de Bea que se arrancó con unas líneas de Carme Riera; el optimismo de Said, rebosante como siempre, y la inteligencia emocional siempre entrañable de Mena.



Teresa

martes, 25 de noviembre de 2008

Hoy en Madrid también es un día triste. Iba saliendo de un hervidero adolescente de Vallecas y una llamada me lo dijo. Es muy mala la noticia. Lo era, y estábamos sobre aviso. Agitador, traductor y poeta. Mañana tendría que recoger un premio grande a una labor impresionante. En Manga Ancha estamos muy tristes por el adiós de Ángel Campos Pámpano.

miércoles, 19 de noviembre de 2008

Sao Paulo

Hay ciudades tranquilas y ciudades que no descansan.


Y hay aviones que juntan los dos extremos.


7:50 Vuelo Florianópolis- Sao Paulo.

Aterrizo medio dormida, pero ansiosa por saber qué hay de aeropuerto para afuera.
En el trayecto del aeropuerto al hotel, la emisora solo habla de kilómetros y kilómetros de retenciones.
En el camino rascacielos, casas bajas, edificios desconchados… como si de un desfile de edificaciones se tratase, la ciudad comienza a presentarse.
Yo no necesito de muchos datos para conocerla, no quiero saber, edad, procedencia, nacionalidad, sólo estar para andarla y descubrirla.

Y Sao Paulo comienza:

- Avenida Paulista: gente, música y colores se entrelazan: Todo es movimiento y ritmo.
- Librería cultura: palabras, imágenes y notas ordenadas alfabéticamente.
- Barrio Liberdade: en Brasil se habla y se come como en Japón.
- Bienal de arte: el arte ya no sólo se mira y se siente, ahora se toca, se huele y se rehace.

Sao Paulo tiene mucho más por descubrir, es mejor no descansar hasta conocer la ciudad que no descansa.

23:30 Vuelo Sao Paulo – Florianópolis.
Antonia

sábado, 15 de noviembre de 2008

En el Simancas vamos al teatro

En mi Instituto, el Simancas (barrio San Blas), existe la sana costumbre de ir, al menos, una vez al trimestre al teatro. Desde que yo estoy en él, siempre hemos visto teatro clásico; así que aprovechando que el Guadiana pasa por Badajoz, el miércoles 12 (día del espectador) nos engalanamos de calle para ir al Teatro Alcázar a disfrutar de la obra de Yasmina Reza: Un dios salvaje. Fue genial desde el inicio: los actores (Maribel Verdú, Aitana Sánchez-Gijón, Pere Ponce y Antonio Molero), divinos, absolutamente divinos. La obra, magnífica. Lo mejor: el retrato crítico, silencioso y sutil de cada personaje; y el humor que envuelve esta tragedia, pues es tan hábil, tan mordaz, tan ingenuo y tan rápido que no hay tiempo para secarse las lágrimas. Y eso es lo mejor que te puede pasar para disfrutar de una obra de teatro: que la crítica pase de puntillas y la risa te dé un pisotón.

Teresa